Carlos Albert Bacelar Santos, de 34 anos, morador de Cajazeiras, em Salvador, mais especificamente da região da Fazenda Grande 4, vive hoje uma das histórias mais marcantes já registradas no bairro. Nascido na capital baiana, ele deixou a comunidade onde cresceu e construiu sua vida para seguir um caminho totalmente inesperado: integrar o Exército Ucraniano em meio à guerra no Leste Europeu.
Em 2025, Carlos decidiu deixar Salvador e a rotina como vendedor em uma empresa de produtos químicos. Sem qualquer experiência militar anterior, partiu para a Ucrânia e iniciou, no mesmo ano, sua jornada nas forças armadas do país. Atualmente, ele está há seis meses servindo no Exército Ucraniano. O início foi marcado por grandes dificuldades, principalmente pela barreira cultural, pela adaptação à culinária local e pela ausência total de formação militar. Ainda assim, ele afirma que a vocação falou mais alto. Para Carlos, não foi apenas uma decisão racional, mas um chamado. A profissão, como define, o escolheu.

Durante esse período, o morador de Cajazeiras vivenciou situações extremas. Em apenas duas missões, esteve frente a frente com a morte. Em uma delas, chegou muito perto de não retornar. A sobrevivência, segundo ele, foi resultado da fé. “Deus colocou a mão, e eu sobrevivi”, relata.
Mesmo diante dos riscos constantes e da dureza da guerra, Carlos afirma não se arrepender da escolha que fez. Ele diz estar exatamente onde sente que deveria estar: servindo com honra e vivendo com propósito. A história de um filho de Cajazeiras, da Fazenda Grande 4, que saiu do bairro para um dos cenários mais perigosos do mundo, passa a integrar o registro do Jornal Cajazeiras como um relato de coragem, convicção e propósito de vida.




